Com novo sistema de transporte, São José ganhará dois terminais e tarifa unificada

Uma tarifa única de transporte coletivo para quem circular apenas dentro da cidade. Dois terminais municipais, além de ligação por BRT (Ônibus Rápidos) com as principais cidades da região. São José será uma das maiores beneficiadas pela implantação da Rede Integrada de Transporte Coletivo Metropolitano. Não apenas pela sua posição estratégica em relação aos demais municípios, mas por possuir, também, a maior população em deslocamento, internamente e com destino à Capital. A meta do governo do Estado, por meio da Suderf (Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana), e em parceria com a prefeitura, é elevar o interesse da população pelo transporte coletivo.

O novo sistema ainda está em discussão, mas deve começar a ser implantado em 2018, contanto inclusive com PPPs (Parcerias Públicos Privadas) para as obras de maior parte, como as linhas exclusivas de BRT. O diretor técnico da Suderf, Célio Sztoltz, explica que uma pesquisa, denominada “origem-destino”, de 2014, apontou as preferências dos moradores quanto aos deslocamentos, envolvendo rotas, horários e veículos. Mais de 14 mil habitantes informaram os roteiros utilizados. O resultado foi a construção de uma ampla rede, que atende inclusive os bairros mais afastados. “Isso foi importante, porque linha nova é aposta, precisa saber se terá usuários, retorno e se vão usar mesmo”, diz.

A secretária de Segurança, Defesa Social e Trânsito de São José, Andréa Pacheco, acredita que o novo sistema trará benefícios para a toda a população e defende a participação da comunidade nessa parte da implantação do sistema, que ainda contará cm a exposição das linhas na internet. A parte mais difícil, segundo ela, é conseguir os recursos necessários para as obras. “É necessário, não há como fugir disso, só não dá para ser de um dia para o outro. O Estado reclama da saúde, o município possui suas deficiências. Será preciso uma cooperação da região e do conjunto dos municípios envolvidos”, avalia.

Quem está acompanhando as audiências públicas promovidas pela Suderf tem apoiado as mudanças. Para o vereador Caê Martins (PSD), o projeto ajudará os moradores a não ficarem tão dependentes da Capital. “Percebo que vem amadurecendo muito, o sistema do transporte é complexo e me agrada muito essa integração. O cidadão terá qualidade de serviço, bom preço e beneficia quem está no interior também”, diz.

O vereador Nardi Arruda (PSD) aposta na melhoria da mobilidade urbana. “Para São José é importante o desenvolvimento como um todo. Vejo que as áreas foram divididas em patamares, só minha única dúvida é quanto a autonomia do município nas linhas da cidade, envolvendo fiscalização”, comenta.

Redução no número de linhas

No diagnóstico do transporte público da Grande Florianópolis, feito através do projeto da Rede Integrada de Transporte Coletivo Metropolitano, foi constatado que, em São José, há linhas demais, em trechos não tão movimentados. Além disso, apenas 14% das viagens atuais são feitas em linhas municipais. Célio Sztoltz aponta a falta de planejamento urbano e o crescimento desenfreado e sem planejamento como responsáveis pelo “zigue-zague”, dos ônibus que hoje fazem inúmeras vezes a mesma rota. “É importante buscar o equilíbrio entre tarifa e frota. Reduzir as linhas é otimizar e dar eficiência, aumentando as opções de deslocamentos, diminuindo custos”, comenta.

No sistema atual há 403 veículos, 283 linhas, 220 tipos de serviço como passagens e destinos integrados para 150 mil passageiros. A integração propõe uma redução para 370 frotas, 160 linhas e aumenta os serviços para 370. Além disso, o projeto quer trazer um mix de veículos, seguindo os parâmetros de cada localidade. Nos trechos onde há menos usuários, a intenção é colocar micro-ônibus, modelo de van.

Foco no usuário

Com a Rede Integrada Metropolitana, o usuário poderá trocar de veículo para chegar a uma cidade da região sem pagar novas passagens cheias, ou seja, pagará apenas o complemento de tarifa dependendo do destino. Pelo valor de R$ 9,00, por exemplo, consegue sair do terminal previsto para Biguaçu e ir até o bairro da Pinheira, em Palhoça, sem precisar entrar na Capital.

Para o superintendente de Desenvolvimento da Região Metropolitana, Cassio Taniguchi, o projeto atenderá a todos os tipos de usuários. Desde aquele que mora no interior, até aquele que hoje paga duas passagens para chegar no seu destino. A maior parte do investimento será feita pelo governo do Estado. “Os investimentos na infraestrutura foram separadas da tarifa. Grande parte está sob responsabilidade do Estado, como a duplicação da Via-Expressa, os terminais, estações”, descreve.

Segundo Taniguchi, o projeto final de engenharia para duplicar a Via Expressa já está pronto e será lançado em breve. “É uma obra mais complicada e estamos prevendo para 2019, caso licitarmos tudo esse ano. A nossa expectativa é se tudo ocorrer bem, sem revolta de prefeitos, é termos condições de implantarmos rápido. Em todas as nossas apresentações o cliente principal são passageiros e não os políticos. Se queremos beneficiar a população vamos parar com discussões bestas e vamos implantar logo o sistema”, pontua.

Texto de Brunela Maria

Fonte: ND Online

Após reforma, Terminal Rita Maria, em Florianópolis, continua mal iluminado e subutilizado

O espaço recebeu reforma, mas continua com problemas. Foto: Marco Santiago / ND

Quem viveu a Florianópolis dos anos 1980 e 1990, quando o advento dos shoppings ainda era novidade na região, certamente vestiu alguma peça de roupa vinda da Central da Moda, que ficava no segundo piso do Terminal Rodoviário Rita Maria. Aliás, o local era muito frequentado na cidade. Era ali que o Papai Noel chegava todos os anos, que escolas da região iam para assistir apresentações de danças, ou o festival da Primavera. Muito antes, no século 18, os marítimos que aportaram, na época da chamada Praia da Feira, possivelmente foram servidos pela própria Rita, conhecedora dos segredos dos chás, das rezas e benzeduras. Atualmente, o terminal que ainda é a porta de entrada da cidade para muita gente —que no nome homenageia a mulher negra descendente de escravos que viveu naquele local— está mais próximo de um castelo abandonado.

A reforma recente do único terminal rodoviário ainda administrado pelo Estado em Santa Catarina, inaugurada em julho deste ano pelo governador Raimundo Colombo (PSD) ao custo de R$ 12,9 milhões, não deu conta de devolver ao equipamento público a mesma identidade que ele tinha com a cidade em 7 de setembro de 1981, quando foi inaugurado com um show da Fafa de Belém e um bolo gigante oferecido à população.

“Quem se lembra de como era isso aqui, bate até uma tristeza. Era o shopping da cidade”, conta um dos poucos comerciantes que ainda restam no terminal apontando mais da metade das lâmpadas, ou bocais onde deveriam ter lâmpadas, sem iluminação. Na área de desembarque, por exemplo, das quatro lâmpadas apenas duas funcionam. O trajeto entre o embarque e desembarque depois das 22h pode ser um desafio enorme para uma pessoa de baixa visão.

“Quando passei por aqui, há uns 15 anos, era um lugar muito acolhedor. Lembro-me de ter almoçado em um restaurante lá em cima, tinha muito movimento. É uma pena ver assim tão abandonada. É um espaço muito bom para atividades culturais, seria um ótimo cartão de visita da cidade”, contou o professor de medicina oriental José Luiz Azevedo, 53, que na madrugada de sexta faria o trajeto de Florianópolis x Porto Alegre a partir do Rita Maria.

Em média circulam pelo local sete mil passageiros por dia e, na alta temporada, cerca 15 mil. O fluxo diário é de 450 ônibus de 25 empresas nacionais e internacionais que utilizam o terminal.

O amontoado de pessoas numa das colunas próxima do desembarque chama a atenção à primeira vista. Mas basta olhar atentamente para perceber que ali é o único lugar com tomadas elétricas para os usuários. Quem chega ou parte de viagem, precisa esperar um dos quatro espaços disponíveis desocupar e conseguir, por exemplo, recarregar um celular ou ligar um notebook.

No piso superior, onde funciona a administração, a fiação está exposta e o hidrante, que seria utilizado em caso de incêndio, está com a mangueira cortada e desinstalada. Os dois elevadores para deficientes instalados recentemente, que levam ao piso onde nada funciona para o público, iniciam processo de deterioração antes mesmo de serem usados. Apenas um banheiro funciona e o aviso de que há chuveiros não pode ser confirmado.

A falta de segurança no local é uma das principais queixas dos comerciantes. Apesar de ter um posto da PM anexo ao prédio, policiais nunca são vistos no saguão do terminal. A Polícia Civil funciona apenas em horário comercial. “Os passageiros que precisam fazer boletim de ocorrência por perda de documento ou com crianças sem registro tem que se deslocar até a Osmar Cunha. Muitas vezes perdem o ônibus por causa disso”, confessa o taxista que também reclama do preço do cafezinho, “R$ 5 o copo pequeno do café preto”, e dos motoristas da Uber e de veículos não cadastrados que buscam passageiros dentro do saguão sem nenhuma resistência da administração.

Outro problema relatado por usuários e comerciantes no local é o antigo problema da falta de carrinhos. Segundo um dos entrevistados que não quis se identificar, existe um complô entre diversos personagens, da fiscalização ao comércio, para fazer com que faltem carrinhos para o transporte de malas. Com isso, os passageiros ficam obrigados a pagar pelo serviço que é ofertado por uma pessoa que usa carrinho próprio para isso.

Embrião de cidade inteligente

Projetado em 1976 pelos arquitetos uruguaios Enrique Hugo Brena e Yamandu Carlevaro, o Terminal Rodoviário de Florianópolis foi um marco da arquitetura da cidade e, ao lado dos prédios da Eletrosul e Assembleia Legislativa, serviu como “âncora” para demais ocupações institucionais. Foi o primeiro grande edifício a ocupar o aterro da Baía Sul, uma espécie de embrião de cidade ideal para a época. O projeto original, com 16 banheiros, soluções de fluxos e divisão por setores, como embarque e desembarque, mostram a expectativa dos projetistas sobre o uso do prédio.

No entanto, o crescimento da cidade não se deu da forma imaginada. O próprio projeto de urbanização do aterro nunca saiu do papel. Os carros se multiplicam de forma vertiginosa. Os preços das passagens de avião para capitais como Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, são muito mais baratos que há 20 anos. E os shoppings centers, hoje, atraem mais a atenção do público que o antigo terminal. Em novos projetos de mobilidade, como os que envolvem a adoção de monotrilhos, o Rita Maria passaria por requalificação de uso e seria integrado ao transporte urbano também.

Números do Terminal Rita Maria

– Área: 15.718 metros quadrados

– Fluxo médio de 450 ônibus por dia

– 25 empresas nacionais e internacionais de transporte de passageiros

Segunda etapa prevê órgãos públicos no prédio

A reforma que iniciou para conter as goteiras no telhado e entregue em julho deste ano, depois de trocar também o piso e a camada asfáltica da pista, não passou no primeiro teste. A demanda remonta o ano de 2013, quando o Ministério Público de Santa Catarina chegou a pedir a interdição da rodoviária em função da quantidade de goteiras.

Com a experiência de dois mandatos de vereador consecutivo e dois de prefeito em São Bonifácio, Laurino Peters assumiu em junho deste ano como gerente do terminal com a missão de administrar uma das portas de entrada da cidade.

“Eu sempre digo que as pequenas coisas precisam ser resolvidas primeiro”, afirmou. Segundo Peters, agora, após a reforma do telhado e do piso, a administração deve iniciar uma nova instalação elétrica provisória até a licitação da prometida iluminação de led. “É uma obra que não é fácil de ser feita, por isso vamos tomar como medida provisória novas instalações elétricas até que possamos fazer uma rede totalmente nova e desativar esta antiga”, disse.

Peters informou ainda que o mezanino, também conhecido como segundo piso do terminal, deve receber órgão públicos, uma iniciativa para aumentar o fluxo de pessoas no local.

Sobre os equipamentos de segurança danificados, como um hidrômetro flagrado pela reportagem, o gerente informou que serão trocados ainda este mês. Já as denúncias de falta de carrinhos ou de que funcionários estariam escondendo os equipamentos o gerente rebate e diz que há carrinhos suficientes para os passageiros: “Inclusive temos material em estoque e sempre que é preciso fazemos a reposição”.

Texto de Fábio Bispo.

Fonte: ND Online

Em meio a greve, Paulotur perde a concessão pública

De maneira unanime, o Conselho Estadual de Transportes de Passageiros decidiu na tarde desta terça-feira (20) pelo fim do contrato com a Paulotur. A partir de agora, o Estado retoma as 12 linhas de ônibus até então operadas pela empresa em Palhoça, Garopaba e Paulo Lopes. A decisão acontece em meio a uma greve dos funcionários da companhia, que estão com salários atrasados.

O conselho também decidiu que essas linhas sejam imediatamente e em caráter emergencial autorizadas às empresas Santo Anjo e Jotur, já que elas operam linhas no mesmo trajeto da Paulotur. Segundo o Departamento de Transportes e Terminais (Deter), além de facilitar a logística operacional, causa menos impacto aos usuários.

Nos próximos 45 dias, o vale transporte da Paulotur será recebido pelas duas empresas. nesse período, as companhias aceitarão os passes escolares já adquiridos e as carteiras de estudante. A Jotur comercializará esse tipo de passagens na agência em frente à estação de Palhoça. Para as linhas da Santo Anjo deve-se procurar o guichê no Rita Maria. Os locais para recadastramento serão os mesmos.

Com a decisão, o Deter já encaminhou notificação a Paulotur sobre a rescisão do contrato e expediu autorização provisória às empresas para que iniciem as operações das linhas já a partir de 21 de junho.

O processo administrativo contra a Paulotur foi feito pelo Deter e recebeu parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado. Em seguida, foi levado para apreciação do Conselho Estadual de Transportes de Passageiros, onde foi deliberado. A partir de agora, o Deter passará ao processo de licitação das linhas. A Paulotur não atendeu as ligações da reportagem.

Com a redistribuição das linhas, a Jotur fica responsável por operar os trechos entre Florianópolis e Morretes (Albardão), Praia da Pinheira, Enseada do Brito e Guarda do Cubatão (Jomar), sendo que as partidas e chegadas serão no Ticen. Já a Santo Anjo assumirá as linhas para Garopaba, Gamboa e Paulo Lopes, com partidas e chegadas no Terminal Rodoviário Rita Maria, e a venda de passagens nos guichês.

Em ambos os casos os respectivos quadros de horários permanecem os mesmos, sendo possível consultá-los no TICEN e no Terminal Rodoviário Rita Maria. As empresas também estão atualizando os sites jotur.com.br e santoanjo.com.br para que o usuário possa fazer a consulta online e planejar sua viagem com mais comodidade.

O sindicato da categoria (Sintraturb) está se mobilizando agora para garantir empregos para os cerca de 150 funcionários que serão demitidos da Paulotur. “Vamos tentar empregar o máximo de funcionários que der nas novas empresas. Ainda estamos esperando se a Paulotur vai dar baixa nas carteiras de trabalho, senão vai ser uma guerra judicial” informou o presidente do sindicato, Deonísio Lindes.

O Sintraturb informa que irá prestar assistência jurídica aos trabalhadores com relação ao FGTS e INSS que não foram pagos pela empresa, mesmo com ação judicial a favor dos funcionários. Como o patrimônio da Paulotur está penhorado, a movimentação será para sequestrar os bens dos donos da empresa.

Fonte: Diário Catarinense

Com paralisação da Paulotur, usuários utilizam ônibus de outras empresas

A paralisação dos trabalhadores da empresa Paulotur continua nesta quarta-feira (14). Moradores de localidades em três municípios estão sendo atendidos provisoriamente por outras empresas, conforme o Departamento de Transportes e Terminais (Deter). A Paulotur, além de dívidas trabalhistas, está com a concessão vencida há seis anos.

O Deter informou que notificou a empresa para que os serviços sejam retomados “imediatamente”. Enquanto isso não ocorre, na rodoviária da capital, os funcionários da Paulotur orientam os passageiros a pegar linhas de outras empresas. Segundo o Sintraturb, as empresas Santo Anjo e Jotur estão tentando suprir os serviços da Paulotur.

“Tenho pegar um ônibus da Santo Anjo, ir até Araçatuba (em Imbituba) e pedir para alguém me buscar para chegar a Garopaba”, diz uma usuária. “São dois ônibus que tenho que pegar. Normalmente é um só que vem direto, saltava na rodoviária”, diz outra passageira.

Dona Iraci, por exemplo, precisou de carona para conseguir chegar cedo a Florianópolis e fazer exames. “Eu vim com meu filho porque ele trabalha aqui. Eu ia voltar de ônibus, mas agora não teve como”, afirma a idosa.

Em nota, o Deter informou ter autorizado “todas as empresas congêneres a realizarem de forma emergencial as linhas que operam no mesmo leito estradal da Empresa Paulotur, enquanto perdurar o estado de greve. As empresas autorizadas já estão operando as linhas, visando diminuir ao máximo o transtorno aos usuários do transporte público da região”.

Os trabalhadores paralisaram as atividades na terça-feira (13) e pedem o pagamento de salários atrasados, pagamento de férias e melhoria nas condições de trabalho. Moradores de pelo menos três cidades (Palhoça, Paulo Lopes e Garopaba) são afetados pela paralisação.

A Paulotur informou que já depositou os salários atrasados de 110 motoristas e cobradores. No entanto, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis (Sintraturb), os pagamentos não foram feitos na totalidade.

Conforme Deonísio Linder, diretor do Sintraturb, até as 16h desta quarta, mecânicos, auxiliares de limpeza e agentes do terminal rodoviário não haviam recebido os salários. Ainda segundo Linder, alguns funcionários que tiraram férias no mês passado também seguem sem o pagamento em dia.

Foto: Naim Campos (RBS TV)

Desde as 15h30min, representantes do Sintraturb estavam na Superintendência do Ministério do Trabalho em Florianópolis para uma negociação. No entanto, segundo Linder, até as 16h ninguém havia aparecido.

Dívidas trabalhistas

O Sindicato ganhou dois processos contra a Paulotur em 2016 e a empresa foi condenada a pagar R$ 130 mil em dívidas trabalhistas. A Justiça do Trabalho descobriu que os ônibus já estão penhorados em outras dívidas, não trabalhistas, e não identificou outros bens em nome da Paulotur. Com isso, a Justiça do Trabalho está levantando o patrimônio dos sócios e eles terão as contas bloqueadas e os bens penhorados, caso as dívidas não sejam pagas.

O Deter informou que abriu um processo no mês passado pedindo a caducidade da concessão da Paulotur, que é a retomada ao Estado das linhas que o governo concedeu para a empresa.

“O último processo é datado de 2015, iniciaram-se as denúncias, iniciou-se também algumas dificuldades da Paulotur de obter junto ao Deter os registros necessários, os certificados de vistoria dos veículos”, detalha Amarildo Matos de Souza, diretor de Transportes do Deter.

Concessões vencidas

O processo foi para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) analisar a parte jurídica. Segundo a PGE, não é possível cancelar a concessão porque ela está vencida há seis anos. Com isso, o Estado precisa abrir uma nova licitação, pois não é possível prorrogar o prazo.

O diretor do Deter disse até a manhã desta quarta (14) não havia recebido o parecer da Procuradoria e confirmou que a concessão está vencida.

“Não só da Paulotur, a grande maioria dos processos de concessão estão vencidos, existem processos do sindicato das empresas e das empresas na Justiça que num determinado momento impediam o governo de efetuar essas licitações”, detalha. Por enquanto, não há prazo para uma nova licitação.

Fonte: G1 Santa Catarina

Trabalhadores fazem greve e ônibus da Paulotur não circulam na Grande Florianópolis

Motoristas, cobradores e outros funcionários da administração interna da empresa de transporte coletivo Paulotur entraram em greve por tempo indeterminado nesta terça-feira (13). Eles acusam atrasos nos salários e decidiram cruzar os braços até que a empresa deposite o pagamento.

De acordo com o Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis), alguns funcionários receberam o salário parcial, enquanto que outros estão com o pagamento inteiro atrasado, inclusive referente às férias.

“É uma empresa que nem deveria estar rodando mais. Faz 20 anos que não deposita o FGTS e o INSS dos trabalhadores, além de estar com irregularidades no Deter (Departamentos de Transportes e Terminais)”, comenta o diretor do Sintraturb, Deonísio Linder.

Segundo ele, os ônibus deixaram de circular por volta das 5h desta terça. Os funcionários deverão se mobilizar em uma garagem na Enseada do Brito, em Palhoça, para dar mais força ao movimento.

Ônibus de outras empresas atuam em caráter emergencial

A Paulotur atende parte de Palhoça, além de Paulo Lopes e Garopaba, trazendo usuários até Florianópolis. Para suprir a demanda de passageiros, o Deter autorizou que empresas do mesmo leito estradal operem em caráter emergencial nessas localidades.

A orientação é para que os usuários aguardem nos mesmos pontos os ônibus das outras empresas, como da Santo Anjo, Jotur, Imperatriz, que já começaram a circular com veículos extras.

Segundo o presidente do Deter, Fúlvio Rosar Neto, uma notificação foi expedida para que a Paulotur retome o serviço imediatamente, por se tratar de uma atividade de caráter público essencial. Em caso de desobediência, a empresa será multada e poderá responder por processos administrativos.

Ainda conforme Fúlvio Rosar Neto, a Paulotur já responde a um processo que está na Procuradoria Geral do Estado por uma série de irregularidades, que incluem documentação, horários de trabalho, falta de segurança, entre outros apontamentos.

Dívida de R$ 35 mil na folha de pagamentos

O diretor da Paulotur, Juarez Nienkotter, confirmou um atraso no pagamento de motoristas e cobradores, informando que a dívida da empresa com a folha de pagamentos está em torno de R$ 35 mil. “Essa greve pegou todo mundo de surpresa. Não fomos notificados e ainda aguardamos um posicionamento oficial dos trabalhadores para conversarmos”, afirmou.

De acordo com ele, o atraso aconteceu devido à queda de arrecadação da empresa em função do excesso de feriados e de chuva. “Em dias de muita chuva, chega a cair cerca de 50% o movimento nos ônibus, o que afeta na arrecadação, inevitavelmente. Agora, com os ônibus parados, fica ainda mais difícil de recuperar esse dinheiro e poder fazer os pagamentos”, diz o diretor.

Até as 10h desta terça-feira, ele afirmou que a empresa ainda não havia recebido a notificação do Deter. Juarez também confirmou a existência de um processo contra a empresa, mas disse que desconhece o teor do processo e que as operações da Paulotur estão regulares.

Texto de Viviane de Gênova.

Fonte: ND Online

Ônibus com energia solar terá aplicativo que permite reserva de assentos

O laboratório Fotovoltaica UFSC gera eletricidade suficiente para todas as suas atividades, inclusive o abastecimento do ônibus elétrico. Um excedente ainda é cedido à rede pública para alimentar o campus universitário na Trindade. Foto: Todd Southgate / Matéria: Adamo Bazani

Imagine antes de pegar o ônibus para ir trabalhar, por meio de celular, você conseguir reservar o assento igual acontece com as viagens aéreas? É justamente isso que quer testar a Universidade Federal de Santa Catarina, no conceito de deslocamento produtivo, durante os testes de um ônibus que funciona com energia elétrica gerada a partir de uma estação de energia solar.

O veículo foi desenvolvido em uma parceria entre a Eletra, de São Bernardo do Campo, responsável pelos equipamentos e integração da tração elétrica, Mercedes-Benz, que fez o chassi, Marcopolo, produtora da carroceria, WEG, que fez o motor elétrico e Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Fotovoltaica UFSC).

O ônibus começou a fazer o trajeto entre o Campus principal da universidade e o Sapiens Parque em dezembro do ano passado. São cinco viagens por dia e até o momento já foram percorridos 10 mil quilômetros.

Na próxima semana, o ônibus deve passar por uma revisão geral, quando deve ser feita a primeira avaliação do desempenho e consumo do veículo.

A universidade possui um laboratório de energia solar onde há uma estação que transforma esta energia em eletricidade para recarga diária das baterias do ônibus, além de atender 80% do consumo dos prédios do Campus. Ainda há sobra de energia, que é cedida para a distribuidora do estado.

O veículo não faz parte apenas de um projeto ambiental, mas de novos conceitos de mobilidade urbana, segundo a Universidade. Entre estes conceitos, está o de deslocamento produtivo, que consiste em permitir que o passageiro já consiga iniciar parte do seu trabalho durante o trajeto. O ônibus possui wi-fi, mesinhas para notebook e tomadas para carregar as baterias de computadores portáteis e celulares.

O aplicativo é visto como mais um passo dentro desse conceito de deslocamento produtivo, que pode atrair uma demanda que hoje não utiliza habitualmente o transporte público.

Após o lançamento do aplicativo, o serviço de deslocamento será oferecido com horários regulares a todos os estudantes, docentes e técnicos-administrativos em Educação da Universidade.

Em nota, a Universidade explica como é a geração de energia do veículo:

Toda a eletricidade gerada no laboratório pelos sistemas fotovoltaicos instalados atende ao consumo dos prédios e às recargas do ônibus, com sobra, que é enviada por meio da rede elétrica das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) para ser consumida no campus central da UFSC. Nas simulações feitas pela Fotovoltaica, estima-se que a geração de eletricidade atenda a cerca de 80% do consumo das edificações e das recargas do e-Bus, na base anual, com 20% sendo mandado pela rede da Celesc para o campus da UFSC na Trindade.

O ônibus é parte de um projeto de deslocamento produtivo, com veículos elétricos alimentados por energia solar fotovoltaica – é um ambiente de trabalho, com poltronas confortáveis (somente transporta passageiros sentados), duas mesas de reunião, tomadas 220V e USB, ar-condicionado e rede wi-fi UFSC. Assim, durante o deslocamento entre o campus UFSC Trindade e o Sapiens Parque, realizado em cerca de 30 minutos, os usuários têm um ambiente de trabalho como se estivessem em uma sala da Universidade.

O projeto contou com financiamento de R$ 1 milhão pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e tem parcerias com as empresas WEG, Marcopolo, Mercedes Benz e Eletrabus.

Texto de Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Fonte: Diário do Transporte

Passageiros do transporte público poderão descer fora dos pontos de parada em São José

Usuários do transporte público de São José, na Grande Florianópolis, que utilizam ônibus das 22h às 6h, poderão descer do ônibus em qualquer local, sem a obrigatoriedade de uso dos pontos de parada preestabelecidos. A medida, que visa aumentar a segurança da população, está em debate na Câmara de Vereadores e deve ser aprovada nas próximas semanas.

A iniciativa é da vereadora Cristina de Souza (PRB), responsável pelo projeto de lei enviado para votação na Câmara de Vereadores. “Já existe uma lei que ampara mulheres grávidas e pessoas com deficiência, mas a intenção foi expandir para todas as pessoas, jovens, homens e mulheres”, aponta.

O projeto foi protocolado na última semana e desde então permanece em análise. “Conversei com alguns vereadores que manifestaram apoio e se interessaram, acredito que vamos ter aprovação por se tratar de um benefício à população”, diz.

O vereador Caê Martins (PSD), que tinha um projeto semelhante, resolveu apoiar a medida. “Quando percebemos a vereadora Cristina também elaborava uma emenda nessa mesma direção passamos a unir esforços no sentido de apoiar a comunidade”, destacou.

Conforme descreve Cristina, foram registradas muitas reclamações quanto à parada do ônibus na cidade. “Os usuários não têm conhecimento de que podem solicitar a parada, nem mesmo os deficientes e as gestantes. Se o projeto for sancionado, na prática, todas as pessoas poderão usufruir disso. É claro, não será possível parar na frente da casa de cada um, mas vai aproximar a descida da residência, deixando o trajeto mais seguro para a população”, avalia.

Prazo para as empresas

Se obter votos favoráveis no Legislativo, o projeto da vereadora Cristina de Sousa (PRB) será encaminhado para sanção da prefeita Adeliana Dal Pont (PSD), antes de entrar em vigor. Está previsto ainda um período de adequação nas empresas, segundo estipula a parlamentar. “Acredito que vamos ganhar apoio dos colegas e depois disso o executivo sanciona, mas os ônibus precisam desse prazo legal”, declara.

Fiscalizações também deverão ocorrer no sistema de transportes. A própria vereadora pretende ir aos locais, durante horários solicitados pelo projeto, averiguar se na prática os motoristas vão aceitar o pedido dos usuários. “Sou autora desse projeto e vou observar as empresas. Enviaremos um ofício solicitando a readequação e pedindo que as informações sejam divulgadas aos moradores. Não adianta ter direito se não sabem disso. Tem que colocar um cartaz legível nos veículos”, diz.

Texto de Bruna Maria

Fonte: ND Online

Terminal Cidade de Florianópolis deverá ser fechado por 24h em protesto nesta quarta-feira

Para o Sintraturb, o Terminal Cidade de Florianópolis está abandonado. Foto: Eduardo Valente / ND

O Terminal Cidade de Florianópolis, no Centro, deverá ficar fechado por 24h, a partir das 7h desta quarta-feira (29), para um protesto de motoristas. Eles acusam falta de estrutura para a prestação do serviço e cobram medidas de segurança por parte da Prefeitura de Florianópolis.

A iniciativa, organizada pelo Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis), estava preparada para esta terça-feira (28), mas foi adiada por causa da chuva. Durante o protesto, os ônibus circularão normalmente, mas os embarques e os desembarques de passageiros serão realizados no estacionamento do lado de fora do terminal, na Avenida Paulo Fontes.

Para o diretor de comunicação do sindicato, Deonísio Linder, o local está abandonado e sem estrutura para o serviço. “Os tubos d’água estão se desprendendo da parede, as calhas estão caindo, trazendo riscos para usuários e trabalhadores. Sem contar as constantes tentativas de assalto e a sujeira de alguns moradores de rua, que chegam a defecar no terminal, deixando o ambiente completamente insalubre”, afirma.

“Nossa intenção é chamar a atenção da prefeitura para uma atitude, para mais segurança. Do jeito que está, há riscos para todos. Não queremos prejudicar os passageiros, por isso os ônibus continuarão circulando normalmente durante o protesto. É só o local do embarque e do desembarque que muda nestas 24h de protesto”, completa. Segundo ele, a iniciativa só será adiada em caso de chuva.

Fonte: Notícias do Dia

Câmara de Florianópolis aprova limite de 60 passagens para usuários do passe estudantil

A limitação de 60 passagens mensais para usuários do passe estudantil do transporte coletivo de Florianópolis foi aprovada pela Câmara de Vereadores nesta sexta-feira. Trata-se do Projeto de Lei Complementar 1.599/2017, incluído no “pacotão” de medidas elaborado pelo prefeito Gean Loureiro (PMDB) como forma de poupar os cofres públicos.

A aprovação terá impacto econômico porque, atualmente, não há limitação quanto ao uso do passe estudantil. A votação teve 16 manifestações favoráveis, cinco contrárias e um impedimento.

“Por que esta limitação? Nós temos várias atividades oferecidas no contraturno escolar e as crianças e adolescentes precisam se deslocar e, assim, não estariam contempladas neste limite de passagem” criticou o vereador Pedrão (PP).

Já o 1º vice-presidente da Câmara e presidente da Comissão Especial, Roberto Katumi (PSB), defendeu a aprovação do projeto sob o argumento econômico. “O objetivo do projeto é ter maior controle porque o passe não está sendo usado para a finalidade correta. Pode parecer uma gotinha, mas uma gotinha numa casa no fim do mês a conta dobra. Tem que fechar a torneira” ressaltou o vereador.

Duas emendas foram aprovadas — uma que impõe o limite de 60 passagens mensais, além da supressão do artigo que determinava que somente estudantes com renda de até três salários mínimos teriam direito à metade da tarifa.

Assim, o direito a pagar metade do valor da passagem continua valendo para todos os alunos, independente da condição financeira. Mas terá direito à tarifa social, com 100% de desconto, apenas quem comprovar renda familiar de até três salários mínimos.

Fonte: Diário Catarinense

Consórcio Fênix avisa equipe de Gean Loureiro sobre ameaça de paralisação geral

Empresas que integram o Consórcio Fênix e responsáveis pelo transporte coletivo de Florianópolis já avisaram a equipe do prefeito Gean Loureiro. Há ameaça real de paralisação dos motoristas e cobradores. Motivo: o Consórcio tem crédito de R$ 9 milhões na prefeitura. Sem recursos em caixa não tem como pagar o vale mensal na sexta-feira. E o Sintraturb já avisou que se o pagamento não for feito param o trabalho.

Texto de Moacir Pereira.

Fonte: Diário Catarinense

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