Trabalhadores fazem greve e ônibus da Paulotur não circulam na Grande Florianópolis

Motoristas, cobradores e outros funcionários da administração interna da empresa de transporte coletivo Paulotur entraram em greve por tempo indeterminado nesta terça-feira (13). Eles acusam atrasos nos salários e decidiram cruzar os braços até que a empresa deposite o pagamento.

De acordo com o Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis), alguns funcionários receberam o salário parcial, enquanto que outros estão com o pagamento inteiro atrasado, inclusive referente às férias.

“É uma empresa que nem deveria estar rodando mais. Faz 20 anos que não deposita o FGTS e o INSS dos trabalhadores, além de estar com irregularidades no Deter (Departamentos de Transportes e Terminais)”, comenta o diretor do Sintraturb, Deonísio Linder.

Segundo ele, os ônibus deixaram de circular por volta das 5h desta terça. Os funcionários deverão se mobilizar em uma garagem na Enseada do Brito, em Palhoça, para dar mais força ao movimento.

Ônibus de outras empresas atuam em caráter emergencial

A Paulotur atende parte de Palhoça, além de Paulo Lopes e Garopaba, trazendo usuários até Florianópolis. Para suprir a demanda de passageiros, o Deter autorizou que empresas do mesmo leito estradal operem em caráter emergencial nessas localidades.

A orientação é para que os usuários aguardem nos mesmos pontos os ônibus das outras empresas, como da Santo Anjo, Jotur, Imperatriz, que já começaram a circular com veículos extras.

Segundo o presidente do Deter, Fúlvio Rosar Neto, uma notificação foi expedida para que a Paulotur retome o serviço imediatamente, por se tratar de uma atividade de caráter público essencial. Em caso de desobediência, a empresa será multada e poderá responder por processos administrativos.

Ainda conforme Fúlvio Rosar Neto, a Paulotur já responde a um processo que está na Procuradoria Geral do Estado por uma série de irregularidades, que incluem documentação, horários de trabalho, falta de segurança, entre outros apontamentos.

Dívida de R$ 35 mil na folha de pagamentos

O diretor da Paulotur, Juarez Nienkotter, confirmou um atraso no pagamento de motoristas e cobradores, informando que a dívida da empresa com a folha de pagamentos está em torno de R$ 35 mil. “Essa greve pegou todo mundo de surpresa. Não fomos notificados e ainda aguardamos um posicionamento oficial dos trabalhadores para conversarmos”, afirmou.

De acordo com ele, o atraso aconteceu devido à queda de arrecadação da empresa em função do excesso de feriados e de chuva. “Em dias de muita chuva, chega a cair cerca de 50% o movimento nos ônibus, o que afeta na arrecadação, inevitavelmente. Agora, com os ônibus parados, fica ainda mais difícil de recuperar esse dinheiro e poder fazer os pagamentos”, diz o diretor.

Até as 10h desta terça-feira, ele afirmou que a empresa ainda não havia recebido a notificação do Deter. Juarez também confirmou a existência de um processo contra a empresa, mas disse que desconhece o teor do processo e que as operações da Paulotur estão regulares.

Texto de Viviane de Gênova.

Fonte: ND Online

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